Por variadas razões, hoje em dia muitas são as crianças que são criadas com os avós ou, pelo menos, estes têm uma grande influência sobre a educação delas. Nunca foi o meu caso quando eu era pequena porque com os meus avós paternos não havia grande contacto e quando tinha era tipo visita de pouco tempo e não para ficar com eles. A minha avó materna chegou a viver algum tempo em minha casa mas depois foi embora. Não tenho memória que ela tivesse tido grande influência na minha educação.
A D. Minorca já é uma "privilegiada" porque fica com os avós paternos durante as férias (de dia) e com a avó materna algumas vezes quando os pais vão às compras. Normalmente não são grandes períodos de tempo, não porque eles não cuidem bem dela mas porque não sou apologista de sobrecarregá-los agora que, finalmente, estão na reforma e podem desfrutar do tempo livre que nunca tiveram. Além do mais, o tempo que já passam com ela serve para matar saudades.
Ela gosta de todos os avós e gosta de ir tanto para casa de uns como dos outros.
Em casa dos avós paternos, é quase como se estivesse em casa: brinca com os bonecos, vê TV (canais de cabo), vai ver a avó a costurar, por vezes vai para o pc mais o avô e a avó também não lhe faz todas as vontades e é mais exigente.
Em casa da avó materna, é um mundo muito diferente. Ali há uma mini-mini-quinta com um quintal com árvores de fruto e legumes, etc., há animais, há um forno a lenha (apesar de ela ainda não ter assistido ao processo de cozer o pão), há um jardim que ela pede sempre à avó para "depenar" para ter flores para dar à mãe quando chega, há ir passear e visitar parentes que nem eu vejo tantas vezes, há ficar em casa nos dias menos bons e jogar jogos tradicionais: dominó, cartas, carochas (um jogo com dados) ou apenas pintar ou brincar com as bonecas que por lá existem. Quanto ao satisfazer as vontades, esta avó é mais permissiva, no entanto, tanto avó como neta estão bem instruídas de que as guloseimas se resumem a um ou dois rebuçados, no máximo. Sinto que estou no bom caminho quando outras pessoas lhe oferecem gulodices e ela própria diz que quer só um porque a mãe não a deixa comer mais.
Não é uma infância como eu tive porque tem bastante mais "comodidades" do que eu mas ainda assim, dentro do que é habitual hoje em dia, está bastante equilibrado.
Respondendo à pergunta do título, no meu caso, os avós estão mais para o lado do anjo do que do vilão mas porque os pais não permitiram que nem eles nem ela abusassem. Os avós já tiveram o seu tempo para tomar decisões relativamente a educação quando eram apenas pais. Portanto, sempre que possível, devem deixar os filhos, agora pais, desesperar num mar de dúvidas que é educar uma criança.
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